COMO ORGANIZAR SUA VIAGEM À ÍNDIA

quarta-feira, dezembro 28, 2016



Quando a gente começa a planejar uma viagem, sempre fica um pouco perdido. Por onde começar? Transporte? Valores? Atrações? Quando é para um país tão grande como a Índia, essa dificuldade só aumenta: quantos lugares visitar? Quantos dias ficar em cada um deles? Como ir de um destino a outro? E como uma coisa depende da outra (para pensar no orçamento, é preciso definir que tipo de transporte e quantos dias ficar em cada destino; para decidir o tempo em cada destino, precisa decidir quanto quer gastar e assim vai...), a gente fica com a impressão que não tem ponto de partida, nem de chegada, só tem caminho!

E agora? Por onde começar?
Eu tenho um pequeno roteiro, que uso sempre quando estou organizando minhas viagens:

1. Buscar informações sobre o país

O primeiro passo, para mim, é ler um pouco sobre o país, estado ou cidade a ser visitado. O intuito é só de pegar o “espírito” de cada lugar – o que cada destino oferece, suas principais atrações e características. Assim, fica mais fácil descobrir o que você quer fazer em sua viagem, o que te atrai mais.

Lendo um pouco sobre a Índia, decidi que queria conhecer a ‘Índia dos Marajás’ e a ‘Índia espiritual’, ainda que não soubesse exatamente quais cidades, e que não fazia questão de praias. Olhando no mapa, percebi que as principais atrações relacionadas às minhas escolhas estavam ao norte do país.

Esse momento é importante também para ter uma ideia geral dos custos da viagem - vai ser uma viagem mais econômica, tipo mochileira? Ou quero uma viagem mais confortável? É um destino mais caro ou barato?

Blogs e guias de viagem são boas fontes de informação para esse momento. Sobre a Índia, em português, recomendo:

Em inglês, recomendo os blogs (principalmente para viajantes mulheres):

Pesquisar, pesquisar...

2. Decidir os principais destinos

Depois de conhecer um pouco sobre o local, decido os principais destinos do meu roteiro, levando em consideração as distâncias e o tempo disponível. Também começo a pensar quantos dias ficar em cada lugar, embora não seja nada definitivo ainda.

É nesse momento que começo a colocar as coisas no papel – eu costumo fazer um planilha no Excel com os dias disponíveis e locais. É uma forma de materializar e visualizar essas escolhas, o que pode ajudar a definir os tempos em cada local, a sequência das cidades visitadas, etc. Em geral, faço mais de uma versão dessa planilha, considerando diferentes rotas e sequências de destinos e vou avaliando qual a melhor.

As escolhas mais genéricas do primeiro passo vão te ajudar a fechar as opções nessa fase. Por exemplo: difícil querer conhecer a Índia espiritual e abrir mão de Varanasi, que é principal local de peregrinação hindu do país e lugar sagrado também para o budismo. Então, eu fui pesquisando, dentre minhas opções – “Índia espiritual” e “Índia dos marajás” – quais eram as principais atrações.

Acrescentei Mcleod Ganj, por causa do budismo, do Tibet e dos Himalaias; e Amritsar, que é o centro religioso do sikhismo. Sobre a Índia dos Marajás foi um roteiro mais fácil de montar, porque é um trajeto turisticamente mais organizado, com uma combinação de destinos que os turistas costumam fazer. Eu só precisava verificar se cabia nos dias que tinha disponível, e qual a melhor sequência.

Conseguiu decidir? Parabéns! Eu nunca consigo e fica até o último minuto tentando deixar as opções em aberto...

3. Buscar melhores formas de transporte 

Com a lista das cidades em mão, começo a pesquisar as formas de deslocamento para definir a melhor sequência entre elas.

No caso da Índia, o clima também ajudou a definir essa sequência. Como viajei pelo país em outubro, o melhor seria começar pelo norte, quando ainda não seria tão frio, e só depois seguir para o sul, evitando qualquer restinho das monções. Em geral, as monções começam pelo norte e vão se deslocando para o sul nessa época – então outubro não está mais chovendo no norte, mas ainda há algum risco de chuvas ao sul.

Uma recomendação que não vi muito por aí é: USEM AVIÃO! A Índia é um país enorme, as estradas são ruins, e os preços dos vôos são bons! Do nosso roteiro, fizemos quatro trechos de avião: 1. Delhi – Dahramshala; 2. Amritsar – Varanasi; 3. Varanasi – Agra; 4. Udaipur – Delhi.

Trens também são boas opções: têm classes confortáveis e o preço é ótimo! Para se locomover entre as cidades do Rajastão, usamos principalmente trem e achamos uma opção imbatível.


Para sua experiência ser completa, além de usar avião e trem, alugue carro com motorista para alguns trajetos. Parece coisa de viajante rico, mas na Índia é super comum e acessível. Dê preferência para aqueles trechos em que tiver alguma atração no meio do caminho, assim você aproveita bem sua viagem. Por exemplo: não há trem direto de Jaisalmer para Udaipur. Assim, pegamos um trem no trecho Jaisalmer – Jodhpur e alugamos um carro para o trecho Jodhpur – Udaipur, que tem o complexo de templos jainistas Ranakpur que valem a parada! Também fizemos os trechos Mcleod Ganj – Amritsar e Agra – Jaipur de carro com motorista.

Só evitei andar de ônibus porque os relatos que li na internet eram terríveis e, depois de ter estado no país, posso imaginar... As estradas são ruins e os motoristas dirigem mal, buzinando o tempo todo e num ritmo irritante de acelerar – freiar – acelerar – freiar, bem no estilo race to the red light. Imagino que deve ser impossível conseguir dormir num ônibus assim... Além disso, é bem comum relatos de turistas que compram uma coisa e recebem outra – o ônibus categoria turística da foto vira um cacete armado da vida real...

Os fóruns do site Mochileiros e do India Mike podem ser bons locais para trocar informações e tirar dúvidas com outros viajantes. O 360 meridianos também tem algumas sugestões de roteiros para menos ou mais tempo no país.

Para pesquisar e comprar passagens de trens: India Railway Catering e Cleartrip.

Para pesquisar e comprar passagens internas de avião: Jet Airways, Air India, IndiGo, GoAir, SpiceJet e Vistara.

Viajamos de Air India e Jet Airways. Todos os vôos que pegamos da Air India atrasaram! Um deles atrasou umas sete horas e perdemos momentos preciosos em Agra por causa disso. Eu já sabia da fama da Air India, mas decidi por ela por praticidade. Como é uma empresa antiga e com uma malha aérea maior, ela oferecia trechos que as outras não tinham. Por isso, ao invés de comprar cada trecho com uma empresa, optamos por comprar um bilhete multidestino na Air India, com 3 dos 4 trechos internos que fizemos no país. Já a Jet Airways é uma empresa bem moderna, conhecida por sua pontualidade.


4. Definir o roteiro

Os passos 2 e 3 levam consequentemente à definição do roteiro: à medida que decido as cidades que quero visitar e em que sequência, materializo meu itinerário no país. A leitura dos blogs e guias que sugeri no item 1 me ajudam a definir o tempo que ficarei em cada cidade. É nesse momento também que vou ‘enxugando’ meu roteiro. Por exemplo, tive que escolher entre Rishikesh, McLeod Ganj e Amritsar, já que não conseguiria incluir as três cidades mantendo um ritmo de viagem razoável. Acabei abandonando Rishikesh porque me pareceu menos interessante que as outras duas, mas, principalmente, por que McLeod e Amritsar estavam mais próximas entre si, o que permitiu que eu alugasse um carro para ir de uma a outra. Além disso, foi possível voar até Dharamshala (que está ao lado de McLeod) e voltar voando de Amritsar para Delhi e Varanasi.

Esse é o momento de considerar não apenas o que você quer fazer, mas o que é possível fazer dentro do seu prazo, nível de conforto e ritmo de viagem.

É muito triste deixar algumas cidades para trás...

5. Decidir hospedagem 

Com roteiro em mãos, é hora de pesquisar os hotéis em cada lugar. Na Índia, sugiro já ir com a maioria das reservas feitas. Tem muito hotel e pousada ruim – a chance de acabar caindo em um deles é grande.

Nessa viagem, optamos por hotéis melhores do que costumamos ficar e acho que isso foi essencial para termos curtido o país. Em geral, viajar pela Índia pode ser bastante cansativo – o choque cultural, os cheiros, os sabores, o calor absurdo em alguns destinos... Ficar em um hotel confortável e limpo, que te assegure uma boa cama e um bom banho (e um ar condicionado que funcione) pode te salvar depois de um dia difícil, rs. Se você for como eu e não se importa em ficar em albergue (até gosto, pra falar a verdade!) ou em pousadinha familiar, saiba que na Índia isso pode ser beeem mais difícil do que em outros países. É comum faltar luz em muitos lugares (hotéis melhores costumam ter geradores) e os padrões de higiene são bem diferentes dos nossos.

Reservar sua hospedagem com antecedência te ajudará a escolher as melhores opções, a partir dos reviews e dicas de outros viajantes. Para isso, Booking e Tripadvisor são essenciais. Vale pesquisar também nas indicações de hospedagem do Lonely Planet e de outros blogs de viagem.  Depois farei um post com os hotéis em que fiquei na Índia.

Tá vendo esse meu sorriso na foto? Pura enganação. Esse foi um dia difícil - fizemos um monte de coisas erradas, Nova Délhi foi cruel conosco, o calor era maligno... Nesses dias, você agradece estar num hotel confortável, vai por mim.

6. Definir orçamento

É claro que, desde o primeiro passo, é preciso ter uma noção de quanto se quer/ pode gastar na viagem. Isso vai orientar a quantidade de dias no destino, o tipo de hotel que você deve buscar, o meio de transporte que se encaixa no seu orçamento... Mas é só nesse momento que se pode mensurar o orçamento da viagem com mais clareza. À medida que vou pesquisando e definindo as formas de deslocamento de uma cidade para outra e a hospedagem, vou registrando na minha planilha. Como esses são os principais gastos, dá para ter uma noção de quanto a viagem vai custar e se é necessário cortar algo para fazê-la caber em seu orçamento.

Para os outros gastos, como atrações e alimentação, o site Quanto custa viajar? pode te ajudar a fazer uma previsão em várias cidades da Índia.

Posts que podem te ajudar a fazer uma previsão de gastos na Índia: Viagem para Mulheres e 360 Meridianos.

Aquele momento em que a gente fecha o orçamento da viagem

7. Pesquisar um pouco mais sobre as cidades e atrações visitadas

Nesse momento, seu roteiro geral já estará bastante estruturado. É hora de pesquisar um pouco mais sobre as cidades. Eu particularmente não costumo planejar roteiros diários, definindo o que visitar e conhecer em cada local. Mas gosto de ter uma ideia geral sobre o que cada cidade oferece, para não deixar de fazer nenhuma atração imperdível. Isso ajuda também a entrar no clima da viagem, sabe?
Como passei muito tempo na Índia, não consegui fazer isso para todas as cidades, mas tudo bem. Foi o caso de Sarnath, vilarejo próximo a Varanasi onde Buda fez sua primeira pregação depois da iluminação. Como não sabia o que encontraria por lá, ficamos passeando pelos templos jainistas e locais sagrados do Budismo e acabamos não conhecendo o Museu de Sarnath, que disseram ser ótimo...

Não deixe de reservar um tempinho em sua estada em Jaisalmer para fazer o passeio pelo Deserto do Thar. É demais!

8. Pesquisar questões práticas e detalhes

Por fim, já próximo da viagem, pesquiso um pouco questões práticas, como o que levar na mala (esse é um tópico tão importante que vai merecer um post próprio!), opções de transporte do aeroporto para a cidade, previsão do tempo para os dias em que estarei lá, etc.

Nesse momento, eu gosto de pesquisar alguns serviços ou passeios, mesmo que não os contrate. Chegando no destino, se aquilo realmente parecer uma boa ideia, eu fecho durante a viagem mesmo. Esse foi o caso do motorista que nos levou de Agra a Jaipur. Eu já tinha entrado em contato com ele e feito orçamento por email no Brasil, mas só o contratei quando estava na India, quando eu já sabia que o preço cobrado estava dentro da média de mercado e já tinha decidido que era a melhor forma de fazer esse trajeto.




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